quinta-feira, 9 de setembro de 2010

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a infinita certeza de que nada é
a ínfima incerteza de que tudo não é
a dúvida
a convicção
divagar, devagar e sempre
até chegar na conclusão de que nada é completamente objetivo
e o adjetivo certo é Beleza
o equivocado é não se sensibilizar com
a vida é deliciosa quando se encontra a liberdade
a liberação nasce também do esquecimento
lembremos!
o ouvido nem sempre ajuda no pensamento
desliguemos!
há de se meditar
esvaziemos a mente
plantemos arvores
catemos sementes
seja saudável a saudade
tudo tudo tudo no seu tempo
novamente
em loop
até chegar a primavera da gente
infante
e então crescera da vacuidade um lindo pensamento
agirá na verdade
sentirá o carinho
vivenciará amor
até sobrar nada que não o contenha
e um sorriso no rosto
uma escova de dentes
e sempre sinceridade
o objeto é a bondade
o eu o de estudo
em tempo integral
o outro é o tudo
e contidos perdemos a graça
expandamos
aceita a natureza
perdoa
ouve
mergulha
respira
há de se aprender a ser ser
deixa
eis a deixa

(depois das Nadificações da Natalia)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Não Sei Ser Solteiro


hum...
eu sou um ser cheio de amor, feito de amor, e que viveu muitos, e que prefere estar com alguém que ama por perto, pra doar, pra fazer carinho. Essa coisa de ser solteiro e não ter uma pessoa que vc gosta e pode dividir suas virtudes perto é complicado para alguém como eu. Parte maior da minha vida passei com pessoas especiais do meu lado, e como ando solteiro agora tenho sentido isso. Tenho sentido que fico sem saber como agir, o que fazer, não sei ser como nos meus 19-20 anos, quando não tinha preocupação, nem juizo, nem responsabilidade. Eu sou alguém diferente, que acredita nessa coisa absurda que é o amor, e que acredita na liberdade, e no respeito. Mas quem entende isso, quem acredita, em mim e nessas coisas? Amor é coisa de outro mundo, de outra vida, de alma gêmea, de príncipe encantado. De caras e bocas, de fazer joguinhos de conquistas, de 'pequenas mentiras', de não dizer o que sente. Eu to fora!
Não sei ser solteiro como nos 19, não sei ser como a maioria que sai na noite buscando um sexo com um estranho, não sei amar trancado, esconder sentimento, omitir. Não acho o certo, nem saudável, nem sou eu.
Como diria meu amigo Escurinho Labacé: "Se vc me ama que me ame agora, se quer mandar flores que me mande agora".
Cada dia que passa mais me decepciona o ser humano, que joga seu joguinho como os personagens vilões da corrida maluca, jogando seu óleo na pista, jogando taxinhas, mudando as placas, ensinando errado. E o pior de tudo é que quem convive com você faz de conta que tudo que você diz é falso para facilitar seus lados. Me decepciona.
Mas tem amores que não esqueço, que insisto, que não abro mão, são pessoas que continuam importantes mesmo com toda a história, mesmo com tanta lama na pista.
Eu to aqui!
Mas não sei ser mais solteiro!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Rise Art | vote

Rise Art | vote
Votem na Clarice!
abram a porta pra uma artista de talento!

sábado, 1 de maio de 2010

A propósito da polêmica e dos "ismo"


viva o machismo e o feminismo. Dá nisso, cada um com mais razão que o outro, todo extremismo é burro, já diria eu mesmo. e eu daqui de cima, de baixo ou de fora, heheheh, vendo tudo e dando risada.
e é isso, que as mulheres continuem correndo atrás do seu, e não independente do macho que ela queira, ou mesmo da fêmea, ela tem mais é que correr atrás, mas não precisa esquecer do amor. O céu é o limite!
Que continuem sendo diferente, coerente, e tendo suas tpms, dando seus tocos, antes só do que mal acompanhado. nisso e algumas outras coisas concordamos. do meu lado eu prefiro quem realmente me quer. dou graças a deus por recebe-los. Não sou um ogro, como vejo tantos na rua, mas o que realmente prefiro é que além de qualquer coisa, realmente digam o que pensam, não maquilar, como no comum fazem, fazer que quer só pra fazer uma marca a mais na lataria. não, to fora! saí pra comprar aspirina!
e como diria a música do caetano: "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é..."
:D
Mas desabafo a parte, toda generalização entra no mesmo enquadramento do extremismo, e viva o terrorismo.
um dia a mulher descobre que o mundo que vive e os homens que elas descartam foram "elas mesmas" que educaram. (ai uma mais "inteligente" dirá, 'eu não, a mãe dele') :)
se querem um mundo diferente, comecem consigo mesmas, eduquem seus filhos diferente, mudem de companheir@, ou fiquem só mesmo, como uma certa moça falou. Acho que pensar em tudo, no todo, nos lados, se pôr por fora de tudo, e se contextualizar...
ajuda a dar um bom panorama dos problemas que vivemos. não há uma guerra até onde sei, o que há é uma atitude humana de querer boiar mais que @ outr@. ehehehehe

lembrei da pergunta do orkut: primeiro encontro perfeito - Ela me olha, há aquela comunicação visual, eu me aproximo, ela faz o mesmo, há um sorriso franco nos lábios, eu ofereço minha mão, ela põe a dela, eu a trago, ela não só vem como da mesma forma me conduz, eu a beijo correspondido.
a gente sabe quando o outro é inteligente, sabe no olho quando é sensível, sabe no olho e no gestual se nos agrada. basta ser um pouco mais inteligente, mais sensível, e se deixar viver as coisas, errar é humano, não custa nada tentar, as melhores coisas no mundo foram feitas por tentativas e erros, vide a mulher. hehehe
outra coisa que acho importante. Gentileza, é imprescindível independente do gênero.
outra coisa 2: não deveria haver aqui uma vontade de melhorar a situação?

como diria a claudinha daibert: caixa alta e coisa de playboy. desculpa ai a falta, mas a pressa é inimiga da perfeição.

Acho que vou ressuscitar o blog depois dessa.

beijos e abraços

domingo, 16 de novembro de 2008

Procura-se (ou: por uma filosofia pos-nietzscheana)


O mundo é feito de gente com procuras, com metas, com sonhos, com meras utopias que afirmam querer realizar. Todos muito bem intecionados. Fato é que mesmo que estejam à procura dessas realizações, falta-lhes a ousadia maior de enchergar em si o que em si é e reside o impedimento à essa tal evolução, essa transcedência. Seria algo como uma pseudo iluminação? Seria em alguns casos a própria ou propriamente dita? Eu sinceramente acredito que sim em muitos casos, afinal esse tipo de situação é o que mais faz-se presente nas cabeças da maior parte da humanidade. Além do mais e do bem e do mal, nesse caso eu também concordo com Nietzsche e talvez nele haja uma Razão bem maior quando se posiciona em afirmações do tipo:
"O medo é o pai da moralidade".

e até mesmo:
"Com ajuda da moralidade do costume e da camisa-de-força social, o homem foi realmente tornado confiável".

e mais afirmativo ainda quando diz:
"Não poderia haver felicidade, jovialidade, esperança, orgulho, presente, sem o esquecimento".


O "nosso" viver é sempre pautado por um cinismo que joga à moda de crianças temerosas, tapando os olhos com as mãos pra não ver, mas que sempre escapa entre dedos a imagem doada por aquela curiosidade sacana, que na verdade é protagonista, consciente da ação e calçada de 'botas-sete-leguas' só por precaução, pra não correr o risco de correr riscos maiores, ser julgado por outros olhos, etc, etc, etc. Mais interessante ainda é a idéia de que esquecendo da realidade sabida da-se-a à inocência salvadora e apaziguante, que exiguirá-nos de toda e qualquer necessidade de explicar os porques de não nos fazermos melhor, explicarmos por qual razão não nos emanciparmos da "matrix wachowskiana".
Para mim só há uma maneira feliz de esquecer, o que me parece ser a maneira maravilhosa de esquecimento: aquela que só ocorre quando realmente compreendemos o erro e perdoamos por completo.

Novamente Nietzsche:
"A essência da felicidade é não ter medo."

Mergulhe nessa, mas não seja preguiçoso, mergulhe realmente; aceitar apenas seria vergonhoso, ou talvez um mérito grande demais para alguém inteligente.

Mais uma de Nietzsche:
"Não te enchas de ar: a menor picadela te esvaziaria".

O mundo esta cheio de gente que procura. Que procura alguém, que se procura, que jura saber mais.
O mundo é de fato uma enorme fonte de soberba, e o Woman's Toyfriend está nele de torneirinha.

Todo mundo acha-se mais inteligente, mais apto, mais digno e até cai na bobagem de desmerecer, desconsiderar, não atribuir méritos ao que outros afirmam. Por acharem-se superiores em vários aspectos, por possuirem aptidões, conhecimentos específicos, formação e até facilidades como as de reter na memória longa e a da erudição, acreditam-se portadores de uma procuração especial para esnobar e até ignorar afirmações alheias. Juram possuir carapaça. Que possuam, perdem tempo!

Estar aberto aos mundos além dos nossos jardins é algo necessário ao ser que chamo "superior", por que é necessário ser sempre um pouco vazio para se fazer melhor, e como hoje é dia de ressucitar o Nietzsche:
"Há muitas coisas que quero, de uma vez por todas, não saber. A sensatez estabelece limites mesmo ao conhecimento".

E até onde ser nietzscheano? É imprescindível meditar a longo prazo antes de descartar os pensamentos novos, principalmente os que nos fazem cócegas nos brios, muito comum é fazer isso de instantâneo com os alheios.

Não desmereceria o valor do conhecimento, da erudição, etc. Poderia até parecer escusado trazer a luz essa afirmação, mas é muito necessária quando se imagina o pensamento lido por mentes demasiadamente críticas, a lacuna feita é uma porteira aberta, que facilita o engano na maioria. Considero-a fechada!
"A filosofia moderna foi e é nietzscheana,..."
- Gilles Deleuze, filósofo francês

Não quero aqui encerrar méritos para/com o pensamento de Nietzsche na cultura ocidental e ou mesmo na filosofia. Acredito que há bastante o que descartar até conseguir ler Nietzsche na realidade/integralidade de seu pensamento. Não o louvo, não o descarto, mas coloco parte do seu pensamento dentre os que eu tomo como escolhidamente meritórios.

Então volto ao início:
Procura-se!
Procura-se pessoas que sejam lívres. Livres, respeitosas e que realmente entendam e conjugem Amar no presente.
Talvez a procura seja outra...
Procura-se ousados!
ou talvez:
Procura-se loucos!
Por que não existem pessoas capazes de esquecer o passado e encarar o novo sem pudor do erro vivido.
Faltam pessoas que se proponham a "invenção" do amor.
Eu, como Cazuza, "Adoro um amor inventado", por que diferente dele e do que se pensa de instantâneo, acredito que o amor precisa ser entendido de outra maneira, diferente das que a cultura nos ensinou, desse formato cheio de enganações e roubadas.

Eu proponho algo diferente.
Parar para acreditar em amar/amor, deixar-se amar e amar como proposta. É ousadia, é vaguarda, é destemor, é livre arbítrio, é respeitar-se e respeitar o próximo, é amar-se prioritariamente e o outro a posteriori. Mas requer, talvez, uma profunda reflexão sobre quem é, sobre o que quer e até onde quer ir.
O mundo precisa descartar o medo e ousar.
Já pensou:

O cara chega na moça e diz:
Te acho super interessante, quero te propor viver um amor diferente de todos, os meus e dos teus amores. Quero apartir de agora te amar verdadeiramente e me deixar ser integralmente da mesma natureza. Até que sintamos que a necessidade de seguir as nossas sendas individuais faça com que nossa liberdade necessite distância e precisemos nos separar.
É verdade que soa como uma cantada barata, mas isso deveria ser dito com a maior verdade do mundo. Na verdade DEVE!
Que tal 'testarmos' isso?
Vivam!!!

beijos

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

PRESENTEIE-SE


Sou um homem perdido em mim,
Perdido no que me dei,
No que me amei,
No que vivi.

Sou um homem da pós-modernidade apaixonado,
Amando profusa e harmonicamente.
Com desejos mais que sinceros de me fazer presente.

Estou de pé
Em pino
Com a tez querente de teu desatino.
Destino!
Me introduza sem medo,
Tenho paciência tenho paciência,
Em tua vida
E já não é cedo.
Vamos-nos ao cimo.
Com pele de cordeiro
E alma de saci com boitatá.

Ateie-se!
Atreva-se!

Espero que teu amor se reproduza,
Como se fazendo amor em semi-breves.
Mil estímulos que se dividiriam em fusas,
Mas que se deslizam no tempo
Imitando o movimento das pedras,
Das dunas.

Aceitando em si
O que em mim coaduna a todo momento,
Que já habitava-me o DNA.
Nessa vida devida,
Nada de outra lida,
De instantes vacilantes,
De ficar confusa,
De instinto pusilânime.

Esse é o momento dínamo!
Amo,
Ame!

[Isto é uma ordem!!!]

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Hai kai balão, Hai kai balão


RIO I

Me rio, feliz.
Sentindo a corrente
Desaguar em ti.


RIO II

Borda o vale
Desenhando o canyon
De mil estações.


RIO III

Segue o fluxo
Da maneira de amar.
Fez-se seguro.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

De meus sonhos, em realidade


Acordou-me no meio da noite
Me separando às carnes latentes,
Controlando-me na ponta dos dedos,
Ao sussurrar de meus segredos entre os dentes.

Fez de desejos antigos verdade,
De minhas fantasias vizinhas suspiros,
Dinamitando ao ouvido as vontades,
Fazendo-me gostosa a grunhidos.

Se envolvendo por mim, de afeto
Mostrou-me com toda harmonia e tesão
Energias crescentes, eternas
Aludindo-me ao teto
Com minhas costas no colchão

A revirar meus olhos a beijar
Molhar meu lábio, que já não hiberna
Pulsando em minha medula, insular
Ao tremular de minhas erguidas pernas

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

O amor nos tempos de dengue*


Gabriel, Perdoe-nos, sabemos pouco sobre o que brincamos.

Depois de uma ausência não comunicada, volto para falar um pouco mais sobre gente e de suas aventuras na tentativa de conviver.

"Alma gemia, cansou e num faz mas som nenhum"
[Marcinha, de Candeias].

"Eu sei que Míriam é a mulher da minha vida. Mesmo ela não querendo viver um relacionamento comigo, eu quero viver minha vida ao lado dela."
[Daniel, de Arco-Verde]

"A minha vizinha, Dona Soledade, disse assim: 'Minha filha vai casar pura, isso é tão raro. Morro de orgulho de minha filha!' Coitado do cara que casar com ela, imagine, ter que comer gohan(arroz branco) todo dia, sem mistura."
[Francisco Takajiba, da Liberdade]

Hoje em dia acredito que se relacionar as vezes seja bem parecido com o processo da dengue. Pense comigo,...
o bicho procura sua pele, pousa em você, taca a picadura, lhe suga, depois que vai embora ainda deixa um virus, a coisa esquenta, depois vem as dores pelo corpo.
Ai evolui: dor de cabeça pra valer, mais febre, dores nas articulações.
Quando complica e vai mais longe: enjôos, etc...
Se relacionar hoje pode ser motivo de dores de cabeça.

[*Título criado a partir de comentário de Jampa]

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Luz do Sol



[
É preciso escrever
Para o não romper das nuvens
Para que os óvnis não recuem
Para que as vozes não se desculpem
Dissipando-se assim as dúvidas
Despertando-se assim das ruas
]


Esse caminhar de caminho estreito,
É longo e sinuoso,
De ladear-se em mato verde, flor.

Apertado, de só caber o caminhar de tão estreito
Arvores por perto, arboretos, pássaros, ninhos
O sol brinda a cada clareira, mostrando a relva molhada da chuva que passou.

Iluminado!
As borboletas
Com suas pequenas gotas de chuva nas asas,

Tudo se move em vida
Numa só brisa se mostra a fruta escondida
A folha caída

O cheiro úmido da terra

E sigo à caminho
Do rio de meu tempo subjetivo
Mergulhando da ponte, sentindo na pele o frio da água

Estimulante!
Um abraço que cola em meu peito rente ao meu corpo
Perfazendo-se ao meu desejo sem esforço

Beija a boca, beija o rosto

E mergulha
Mergulha e vai direto na felicidade que procurei
Me deixa sem fôlego, sem sufoco

Mas o pássaro cantou
Num chamar que era lindo e me levou num vôo de planar sobre o vale
Que vale mais que mil sensações

E me entreguei a ti.

Sabor Jambo

[14/04/06]

sábado, 28 de junho de 2008

Samba e Amor


Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã
Escuto a correria da cidade, que arde
E apressa o dia de amanhã

De madrugada a gente ainda se ama
E a fábrica começa a buzinar
O trânsito contorna a nossa cama, reclama
Do nosso eterno espreguiçar

No colo da bem-vinda companheira
No corpo do bendito violão
Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito mais o que fazer
Escuto a correria da cidade, que alarde
Será que é tão difícil amanhecer

Não sei se preguiçoso ou se covarde
Debaixo do meu cobertor de lã
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã

[letra e musica: Chico Buarque]

Minha Amada Imoral

Banksy
Canta pra mim
Aquela música que adoras
E ao meu ouvido confidencia os teus ais,
Teus segredos, cheiros,
Na impressão mais que digital
De meus dedos.
Tua dança da chuva pessoal.
Senta aqui perto,
Na minha frente.

Quero aprender teu idioma,
Falar tua língua sem erros,
Numa harmonia de Eros e Psiquê.
Quero te alimentar de certezas,
De malícia, de espertezas,
todas na bondade e safadeza.
Por que tu és imoral,
Tu transcendes as convenções,
E eu aceito a condição

[Imagem : Banksy]

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Da vontade alheia e da cumplicidade



Hoje acordei com desejo de massas, hoje tenho que comer uma massa. Só não quero espaguete, talharim, fusilli, penne. Nada dessa natureza, to com vontade de nhoque, pizza, lazanha. E falando em desejos, vontades e afins; tava pensando comigo sobre as vontades dos outros e lá vai farinha pra fornada.

Com o tempo a gente tende a pensar mais sobre o que nos acontece e os porquês de que acontece conosco e com o outro. Pensamos sobre por que mesmo estando a tanto tempo com alguém, esse alguém não parece saber nada sobre nós. A mais cabal demonstração, prova disto, é a quantidade de casamentos que se constituem nos cartórios e igrejas e que logo em seguida se desfazem; ou mesmo casamentos em que os conjugues mantem por muito tempo relacionamentos paralelos, valendo salientar que são baseados num formato tradicional, sustentado pela sociedade como o correto. Não é escusado fazer saber que não acredito nessas idéias. Não acho só que não se aplicam a mim, como também acredito ser elas o motivo, culpa, de boa parte dos problemas vividos na nossa sociedade. Serve apenas pra perpetuar um modelo que regula pelo controle de massas e pelo pendão do masculino. Alguém vai dizer: "Que viagem a dele"! Ai direi: Que bobagem a sua!

Acredito ser imprescindível o diálogo entre as pessoas.
Deveríamos fazer questão quando encontramos companheiros interessantes que nos deixam a vontade, ou que nos tem consideração de fato, em sentar e fazer um acordo que faça com que tudo seja às claras.
Que nada aconteça na cabeça sem ser dito.
É importante frisar que para que entendamos quem amamos, nos abramos sobre o que sentimos e pensamos, pois confessando-nos sobre nosso tesão, tensão, planos e dúvidas, fazemos de nosso companheiro cúmplice. De fato, para que isso aconteça eficientemente, há necessidade de haver acordado, aceito pelos dois. Tendo isso como linguagem do cotidiano, os medos e inseguranças vão se dissipar e problemas certamente encontrarão soluções. Os tesões, fantasias, vontades, dúvidas serão colocadas em pauta não só num momento estabelecido, mas também serão no dia-dia.

Falar sobre o tesão de seu dia é delicioso e faz com que sua relação fique cada vez mais forte, por que faz da vontade possível, da dúvida fato consumado, conhecido. Faz-se saber como o outro gosta.

Exercitem-se e excitem-se!

Eu assino embaixo! ^^

Leiam e sejam felizes: Fique Amiga Dela

Blonde Redhead - Melody

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Relacionamento Vegan, o que é isso?

Por que Antes só que mal acompanhado?
[Continuação de "Sobre os anseios e o mundo de ilusões dentro de cada seio"]

Sexo Vegetariano
Zé: -Você conhece aquela do vegetariano?
Ana: -Não! Qual é?
Z: -Levou a moça pro mato e comeu a moita!
A: - oO E há quem não goste de verDura! (pensando)

Quem já foi, ou é vegetariano, entende ou entenderá o que digo.
Amar à distância, é namorar ao estilo vegetariano.
Tenho dito e acredito que mesmo as pessoas que idealizam um relacionamento não físico e espiritual, não conseguem viver relacionamentos à distância. Infelizmente é assim.
Sinto em mim algo diferente, eu sei. Posso viver minhas histórias à distância por muito tempo sem tanta agonia e olha que sou altamente carnívoro, entenda bem, CAR-NÍ-VO-RO.
A presença física é fantástica, mas não é tudo. Sexo é bom, é o que há; o calor do corpo de quem estamos vivendo uma história é magia pura, mas será que não dá pra viver sem isso o tempo todo?

Quando há feedback em um relacionamento com os essenciais (verdade, liberdade, respeito, amor), há tranqüilidade. Tranqüilidade no sentido de paz interna, por que você é suprido do que realmente importa quando vivendo algo verdadeiramente profundo. Faço questão de frisar que não falo de tranqüilidade no sentido de não sentir ciumes, medo da traição, insegurança. Falo de outra coisa mesmo, tente distinguir, sei que pode. Vale pensar que há algo muito comum no ser humano e mais latente ainda nas mulheres, que é o medo da solidão. Diria que 4/5 delas funcionam nessa sintonia. Parece muito? E é! Mesmo as que já vivem um relacionamento estável por anos, temem o fim desse relacionamento. Até mesmo as casadas, temem, sentem medo de ficar sozinhas, de não encontrarem uma pessoa pra amar, alguém que as ame de verdade e isso é o que realmente é levado em consideração, ou deveria ser levado prioritariamente. Existem relacionamentos que sobrevivem bodas e bodas sob esse fantasma, na fantasia de que: um relacionamento por si já é em todas as circunstâncias fonte certa de felicidade e segurança.

Falava de sintonia, mas a verdade mesmo é que nesse dial só há estática e desarmonia. Do que adianta acreditar em algo que não acreditamos, que sabemos ser uma mentira. Mentira maior, pois é uma mentira contada para si, tendo pra mim que mentir é sempre mentir pra si. E tentar se enganar é o eclipse da vontade, da personalidade, do eu, da alma.

Mulheres que vivem relacionamentos assim, numa visão metafórica, são muito parecidas com as moças que passam pela clitoridectomia. Assim como aquelas moças da Africa, Oriente Médio e Sudeste Asiático, lhes é privado algo essencial, o poder de ser feliz completamente. Apesar do nome complicado, tudo é feito de maneira tão simplória que a maior parte das mulheres ficam estéreis e outras tantas morrem pela falta de higiene no trato. Parece algo distante da realidade apresentada, mas não é bem assim distante de uma mulher dentro de um relacionamento assim, privada de sua liberdade, de sua vontade, de seu prazer. Imagine só, ou faça um scan, uma ressonância magnética em sua vida e você vai entender que estar com alguém que não se gosta, e ou que não nos trata como esperamos é: conviver com quem não precisamos, viver uma rotina que não nos diz respeito, e como as moças supra-citadas, fazer amor sem prazer. Essas mulheres correm o risco de se tornarem amargas, depressivas, se anularem enquanto ser humano gradativamente. Ao contrário das mutiladas na carne, parem sem parar, na esperança de ter algum prazer na vida, ou perpetuar esse relacionamento; o que é sabido não trazer felicidade e segurança alguma, muito o contrário, só trás mais responsabilidades.

Por que aprender a ter relacionamentos vegan?
Simplesmente por entender que "nossa" cultura de relacionamentos não nos faz forte, não nos respeita, não nos dá a liberdade, não nos ensina isso, não fala a verdade. Sendo mais correto, essa cultura não nos diz respeito, não é nossa e ponto final. Tudo que nos foi ensinado precisa ser revisto, reeditado e só ai então, passado as novas gerações. Imagine milênios de imposições, extermínios, fogueiras, estupros, lavagens, alienações; amenizando assim nosso poder de crítica e nossa força de vontade, nosso discernimento, nossa vontade de mudança. aaaaaaaaah!
Precisamos aprender a amar e que é amor. Descartar toda essa babaquice "mitológica" e enxergar a realidade, pisar no chão. E isso não significa não amar, não se apaixonar, não querer ficar junto, não querer viver algo com alguém. Viver algo "vegetariano" é como uma escola pra entender tudo que falo.

E como diria DeRose: Ser vegetariano não é ser "macrô"!

Bom Apetite!

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Um quê


Longe de mim abriu-se
E aqui uma porta,
Simultaneamente adentraram-se
Olhos desavisados
Sem semblantes, nem intentos.
Que desvelando-se ao tempo
Face fez-se ao sentimento de surpresa.

Tais quais as presas de uma naja
Injetando fluido fatalmente certo,
Pausando o respirar e inflando inocente.
Ímã de um traçado de vida
Que na ponta dos dedos trás
Idéias e vontades que jamais
Foram tão harmônicos.

E ao recostar minha cabeça percebi
Que me faltou um travesseiro à cama.
Um quarto.
Falta não mais um pedaço,
Faltaria-me a matéria prima?
Talvez um desejo ou certa fonte de calor,
Tornados em minha cama?

Flauta sibilou a melodia
Que certamente me dizia:
Sai de tua toca e irradia tua paz
Para alguém que lhe apraz, lhe habita.
Dita teu destino e segue forte,
Que um quê de sorte cruzou-te
E faz disso teu caminho, teu esporte.

terça-feira, 17 de junho de 2008

O Outro Canto de Baile


Há mais ou menos 10 anos atrás, senti resistência em ler Nietzsche, sentia mesmo, assim como em Fiodor Dostoiévski ainda hoje tenho cautela; afinal de contas não é qualquer leitura, algo que saia pelo fiofó[expressão infame]. Nada mais natural que perceber que esta resistência por Nietzsche se dava por saber encontrar-se nele uma leitura um tanto mais profunda e desafiadora, provocadora e de certa forma impiedosa. Ler Nietzsche é desafiar-se neutro, aprender sobretudo a ser ouvinte. É acordar para certas visões e compreender, por leituras as vezes malcriadas do erudito que era, quais caminhos a nossa cultura camuflada de chapelzinho fez-nos, enquanto humanidade mesmo, trilhar. Ser humano além do bem e do mal deve mesmo ser algo além do terreno, por que por mais que não sejamos maniqueísta, acabamos por força de nossa cultura milenarmente castrante, julgando tudo sob uma ótica parcial e descartando nossas próprias idéias por nos inquirirmos inadvertidas vezes ao pendão da moral impregnada de interesses que não nos dizem respeito enquanto 'conjunto' que quer melhorar[ufa].
Recomendo Nietzsch àqueles que precisam daquele bofetão quase cruzado-de-esquerda-nocaute-técnico inicial, para que deixe de tanta platonisse e de tanto Aguastinho. Quem sabe... se não houvesse tanta aura em torno do legado nietzcheano, talvez tivéssemos bem menos Galaxiais do Queijo-do-Reino do Grão de Areia. E ouvir o créu seria como ir num circo medieval para ver freakshows; a nossa necessária curiosidade humana, por procurar compreender o que não conseguimos referência. Tzzzc tzzzc! Pega no tranco cérebro preguiçoso[tapa]. Quando falo isso lembro logo de um Sílvio Luiz e o seu emblemático "Tá lá o corpo estendido no chão", e de toda gente que não entende que quando alguém passa mal precisa respirar. "A humanidade é desumana" e o Renato Russo, que na verdade era brasileiro, acreditava que tem jeito. Eu sinceramente acredito que tem jeito pra poucos, e por isso mesmo temos que cantar nossas legiões, sejam novaiorquinas ou sertanejas, em meio a espigões de pedra ou espinhos de cactos.
Nietzsche era multifacetado enquanto criador, não só dando tapas como os que comentei, ele também tem seus lampejos poéticos e até mesmo musicais. Pensando que nem todo mundo conhece o legado, cito aqui parte/trecho de um texto do cabra que traçou a genealogia da moral. Eu particularmente gosto desse trecho do Assim Falava Zaratustra, e espero que se deliciem[ui].

Abraços e algo mais a quem for de algo mais.

Segue abaixo o texto:




“Acabo de te olhar nos olhos, vida; vi reluzir ouro nos teus olhos noturnos, e essa volutuosidade paralisou-me o coração: vi brilhar uma barca dourada que se submergia em águas noturnas, uma barca dourada que se submergia e reaparecia fazendo sinais!

Tu dirigias um olhar aos meus pés, doidos por dançar, um olhar acariciador, terno, risonho e interrogador,

Duas vezes apenas agitaste com as mãos as tuas castanholas, e já os pés me pulavam, ébrios.

Os calcanhares erguiam-se; os dedos escutavam para te compreender; não tem o dançarino os ouvidos nos dedos dos pés?

Saltei ao teu encontro; tu retrocedeste ao meu impulso, e até a mim serpeava a tua voadora e fugidia cabeleira.

Num pulo me afastei de ti e das tuas serpentes: já tu te erguias com os olhos cheios de desejos.

Com lânguidos olhares me mostras sendas tortuosas; por tortuosas sendas aprende astúcias o meu pé.

Receio-te quando te aproximas, amo-te quando estás longe; a tua fuga atrai-me; as tuas diligências detêm-me. Sofro; mas, por ti, que não sofreria eu?

Ó! tu, cuja frialdade incendeia, cujo ódio seduz, cuja fuga prende, cujos enganos comovem!

Quem te não odiará, grande carcereira, sedutora, esquadrinhadora e descobridora! Quem te não amará, inocente, impaciente, arrebatadora pecadora de olhos infantis!

Aonde me arrastas agora, indômito prodígio? E já me tornas a fugir, doce esquiva, doce ingrata!

Dançando sigo as tuas menores pisadas. Onde estás? Dá-me a mão! Ou um dedo sequer!

Há por aí cavernas e bosques; extraviar-nos-emos. Pára! Detém-te! Não vês revoarem corujas e morcegos?

Eh! lá, coruja! Morcego! Quereis brincar comigo? Onde estamos? Com os cães aprendestes a uivar e a rosnar.

Mostravas-me graciosamente os brandos dentes, e os teus malvados olhos asseteavam-me por entre as frisadas madeixas.

Que correria por montes e vales! Eu sou o caçador; queres tu ser o meu cão?

Agora, a meu lado! e depressa, invejável solitária! Acima agora! Ó! Ao voltar, caí.

Olha como estou aqui estendido! Olha, altaneira, como imploro o teu socorro! Quereria continuar contigo... por caminhos mais agradáveis! pelos caminhos do amor, através de esmaltados bosques! ou pelos que marginam o lago, onde nadam e saltam dourados peixes!

Estás cansada, agora? Ali em baixo há ovelhas e vespertinos arrebois. Não é tão bom adormecer ao som da flauta dos pastores?

Então, estás assim cansada? Vou-te levar lá; ao menos deixa pender os braços. E tens sede?... Poderia dar-te qualquer coisa... Mas a tua boca não quer beber.

Que maldita serpente esta! feiticeira fugidia, veloz e ágil. Aonde te meteste? Sinto na cara dois sinais da tua mão, dois sinais vermelhos!

Estou deveras farto de te seguir sempre como ingênuo cordeirinho! Feiticeira, até agora cantei para ti: agora, para mim deves tu... gritar!

Deves dançar e gritar ao compasso de meu látego!

Esquecê-lo-ia eu? Não!”


Para quem se interessar esta aqui "O Outro Canto de Baile" completo e um link para Livro todo (Assim Falava Zaratustra em PDF, ou ainda na web em html - de Friedrich Nietzsche)

segunda-feira, 16 de junho de 2008

O Sol Nascerá


A sorrir
Eu pretendo levar a vida
Pois chorando
Eu vi a mocidade
Perdida

Fim da tempestade
O sol nascerá
Fim desta saudade
Hei de ter outro alguém apara amar

A sorrir
Eu pretendo levar a vida
Pois chorando
Eu vi a mocidade
Perdida

[Música: Cartola / Elton Menezes]

Tive, Sim



Tive, sim
Outro grande amor antes do teu
Tive, sim
O que ela sonhava eram os meus sonhos e assim
Íamos vivendo em paz
Nosso lar, em nosso lar sempre houve alegria
Eu vivia tão contente
Como contente ao teu lado estou
Tive, sim
Mas comparar com o teu amor seria o fim
Eu vou calar
Pois não pretendo amor te magoar

[música: Cartola]