sexta-feira, 19 de setembro de 2008

PRESENTEIE-SE


Sou um homem perdido em mim,
Perdido no que me dei,
No que me amei,
No que vivi.

Sou um homem da pós-modernidade apaixonado,
Amando profusa e harmonicamente.
Com desejos mais que sinceros de me fazer presente.

Estou de pé
Em pino
Com a tez querente de teu desatino.
Destino!
Me introduza sem medo,
Tenho paciência tenho paciência,
Em tua vida
E já não é cedo.
Vamos-nos ao cimo.
Com pele de cordeiro
E alma de saci com boitatá.

Ateie-se!
Atreva-se!

Espero que teu amor se reproduza,
Como se fazendo amor em semi-breves.
Mil estímulos que se dividiriam em fusas,
Mas que se deslizam no tempo
Imitando o movimento das pedras,
Das dunas.

Aceitando em si
O que em mim coaduna a todo momento,
Que já habitava-me o DNA.
Nessa vida devida,
Nada de outra lida,
De instantes vacilantes,
De ficar confusa,
De instinto pusilânime.

Esse é o momento dínamo!
Amo,
Ame!

[Isto é uma ordem!!!]

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Hai kai balão, Hai kai balão


RIO I

Me rio, feliz.
Sentindo a corrente
Desaguar em ti.


RIO II

Borda o vale
Desenhando o canyon
De mil estações.


RIO III

Segue o fluxo
Da maneira de amar.
Fez-se seguro.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

De meus sonhos, em realidade


Acordou-me no meio da noite
Me separando às carnes latentes,
Controlando-me na ponta dos dedos,
Ao sussurrar de meus segredos entre os dentes.

Fez de desejos antigos verdade,
De minhas fantasias vizinhas suspiros,
Dinamitando ao ouvido as vontades,
Fazendo-me gostosa a grunhidos.

Se envolvendo por mim, de afeto
Mostrou-me com toda harmonia e tesão
Energias crescentes, eternas
Aludindo-me ao teto
Com minhas costas no colchão

A revirar meus olhos a beijar
Molhar meu lábio, que já não hiberna
Pulsando em minha medula, insular
Ao tremular de minhas erguidas pernas

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

O amor nos tempos de dengue*


Gabriel, Perdoe-nos, sabemos pouco sobre o que brincamos.

Depois de uma ausência não comunicada, volto para falar um pouco mais sobre gente e de suas aventuras na tentativa de conviver.

"Alma gemia, cansou e num faz mas som nenhum"
[Marcinha, de Candeias].

"Eu sei que Míriam é a mulher da minha vida. Mesmo ela não querendo viver um relacionamento comigo, eu quero viver minha vida ao lado dela."
[Daniel, de Arco-Verde]

"A minha vizinha, Dona Soledade, disse assim: 'Minha filha vai casar pura, isso é tão raro. Morro de orgulho de minha filha!' Coitado do cara que casar com ela, imagine, ter que comer gohan(arroz branco) todo dia, sem mistura."
[Francisco Takajiba, da Liberdade]

Hoje em dia acredito que se relacionar as vezes seja bem parecido com o processo da dengue. Pense comigo,...
o bicho procura sua pele, pousa em você, taca a picadura, lhe suga, depois que vai embora ainda deixa um virus, a coisa esquenta, depois vem as dores pelo corpo.
Ai evolui: dor de cabeça pra valer, mais febre, dores nas articulações.
Quando complica e vai mais longe: enjôos, etc...
Se relacionar hoje pode ser motivo de dores de cabeça.

[*Título criado a partir de comentário de Jampa]

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Luz do Sol



[
É preciso escrever
Para o não romper das nuvens
Para que os óvnis não recuem
Para que as vozes não se desculpem
Dissipando-se assim as dúvidas
Despertando-se assim das ruas
]


Esse caminhar de caminho estreito,
É longo e sinuoso,
De ladear-se em mato verde, flor.

Apertado, de só caber o caminhar de tão estreito
Arvores por perto, arboretos, pássaros, ninhos
O sol brinda a cada clareira, mostrando a relva molhada da chuva que passou.

Iluminado!
As borboletas
Com suas pequenas gotas de chuva nas asas,

Tudo se move em vida
Numa só brisa se mostra a fruta escondida
A folha caída

O cheiro úmido da terra

E sigo à caminho
Do rio de meu tempo subjetivo
Mergulhando da ponte, sentindo na pele o frio da água

Estimulante!
Um abraço que cola em meu peito rente ao meu corpo
Perfazendo-se ao meu desejo sem esforço

Beija a boca, beija o rosto

E mergulha
Mergulha e vai direto na felicidade que procurei
Me deixa sem fôlego, sem sufoco

Mas o pássaro cantou
Num chamar que era lindo e me levou num vôo de planar sobre o vale
Que vale mais que mil sensações

E me entreguei a ti.

Sabor Jambo

[14/04/06]

sábado, 28 de junho de 2008

Samba e Amor


Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã
Escuto a correria da cidade, que arde
E apressa o dia de amanhã

De madrugada a gente ainda se ama
E a fábrica começa a buzinar
O trânsito contorna a nossa cama, reclama
Do nosso eterno espreguiçar

No colo da bem-vinda companheira
No corpo do bendito violão
Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito mais o que fazer
Escuto a correria da cidade, que alarde
Será que é tão difícil amanhecer

Não sei se preguiçoso ou se covarde
Debaixo do meu cobertor de lã
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã

[letra e musica: Chico Buarque]

Minha Amada Imoral

Banksy
Canta pra mim
Aquela música que adoras
E ao meu ouvido confidencia os teus ais,
Teus segredos, cheiros,
Na impressão mais que digital
De meus dedos.
Tua dança da chuva pessoal.
Senta aqui perto,
Na minha frente.

Quero aprender teu idioma,
Falar tua língua sem erros,
Numa harmonia de Eros e Psiquê.
Quero te alimentar de certezas,
De malícia, de espertezas,
todas na bondade e safadeza.
Por que tu és imoral,
Tu transcendes as convenções,
E eu aceito a condição

[Imagem : Banksy]