segunda-feira, 9 de junho de 2008

Apologia do sentido


O sol encabulou de teu livre-arbítrio,
Fugiu doido, desvairado, querente.
Corado anoiteceu a câmara, alcova da gente.
Me mergulhava em teu colo, lírio, rio de licores.

Já não éramos um trio,
Apolo abandonava tal espio,
Enquanto eu perscrutava com meus dedos
As notas de tua pele.

Aveludada tez onde deslisei o rosto,
Vislumbrando mil sabores,
Respirando cheiros mornos,
Tua alma quente em cores.

Mesmo que não cores, mi cuore,
Corre em teu centro/hard-core/chacra, líquido.
Transporta em cada beijo acima e abaixo,
Sem percalços o prazer por todo espaço.

Passei a noite no teu corpo querente,
Tateando teus gostos,
Por preferir gestos,
Por adorar ser de teu teto.

Ontem à noite comi teu belo,
Bebi de tua boca encarnada sem adorno.
Vivi do ar de tua chama, entre os dentes,
Atando-te em mechas insanas de cabelo.

Cravei unhas em teu nome,
Ao compasso das ancas mensageiras de sabor e arte,
Tua entrega completa à fome em mim.
Expressão de livre realização ulterior.

Já escorres o suor da certeza
De amanhecermos ofegantes de felicidade.
Juntos, enquanto acorda a cidade,
Radiantes de saborear arte.

Já vem Apolo, dorme!

Durmo..............................................

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